A Estrada de Ferro Elétrica Votorantim - EFEV 

Operou com um grupo de carros de 4 eixos motor e seus reboques entre 1920 e 1977
01
Uma fotografia tirada em 1921 na fábrica Brill na Filadélfia de carro número 1 com letras " SA FABRICA VOTORANTIM ". Brill encomendar 21138 de 04 de junho de 1920 especificou três carros de motor de 13 bancada numerados de 1, 3 e 5, em caminhões Brill 27MCB2.[col. Historical Society of Pennsylvania]
 

02
Uma foto do carro número 2 letras " SA FABRICA VOTORANTIM ". Encomendar 21139 especificados dois 13-banco trilha carros, com telhados de arco, numeradas de 2 e 4, em caminhões Brill 76E1. [col. Historical Society of Pennsylvania]
 

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Xerox de uma fotografia sem data mostrando carro 1 com dois reboques na estação original, em Votorantim
O segundo trailer com o arco do teto parece ser de Brill fim 21139. [col. Adolfo Frioli]
 

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Um calendário do Guia Levi de abril 1937 indica três serviços distintos na linha de Votorantim. Entre o amanhecer ea meia-noite havia executado por hora em ambas as direções de Paula Souza para a cidade de Votorantim
Sete destes carros continuou a Santa Helena e havia quatro viagens diárias a partir de Santa Helena para (Nova) Baltar. [col. SOU]
 

05
Carro Elétrico reconstruído número 1 na estação de Santa Helena em 1947 [Carlheinz Hahmann, col.Charles S. Small]
 

06
Carro 3, em 1957, depois de uma segunda reconstrução.
O veículo está na mesma forma como o carro 1 na foto anterior, mas a sua lanternim foi removida. [William Janssen]

07
Carro 3 puxando quatro reboques 12 janelas em 1957. A origem destes reboques é desconhecida. A fotografia foi tirada em Santa Helena perto da extremidade sul da linha. Bitola era um metro. [William Janssen]
 

08
O mesmo "trem" na linha em janeiro de 1957. Não é um bom lugar para uma fotografia. . [William Janssen]
 

09
Cerca de 1960 a maioria dos veículos foram reconstruídas pela terceira vez com extremidades planas, antessalas maiores e um compartimento menor de passageiros com apenas 11 janelas. Os coletores de proa foram substituídos por varinhas redondas estranhas.
Carro 3 reconstruído , que puxa um reboque numerados 17 foi fotografada em Votorantim 1963. [Raymond DeGroote]
 

10
Esta fotografia mostra o carro 1 reconstruído em 1963. 
Compare com vistas anteriores do carro 1 acima. 
Esta foi a forma final dos Brills Votorantim. [Raymond DeGroote]

11
Carros Trail 2 e 4 foram motorizados.
Esta foto do carro 2 foi feita em 1963. [Raymond DeGroote]
 

12
Carro recém-motorizados 4 estava puxando um reboque não identificado em 1963. Como observado anteriormente, nenhuma fotografia foi encontrada de um carro de passageiros numeradas 5. [ Raymond DeGroote]

13
Carro 2 neste ponto de vista, tomada em 1963, é seguido por um carro de motor 11 janela não identificado e um trailer de 12 janela.
Votorantim. [Earl Clark]

14
Após o encerramento do Bondes de Sorocaba em 1959, a Estrada de Ferro Votorantim adquiriu em Sorocaba carro de dois eixos 3, que se converteu a um carro de linha, repintado e numeradas CS5. Aqui está ele em 1963. [Raymond DeGroote ]

15
Votorantim linha do carro CS5 - ex - carros de passageiros Sorocaba 3 - reparação da pista em outubro de 1965. [col. SOU]
 

16
Um carro novo inspeção apareceu recentemente na linha - embora não há muito deixou de inspecionar. Um sinal do que está para vir? [Rafael Santino]
 

17
EFEV carros de passageiros 3 foi preservado e é exibido hoje perto das fábricas de cimento em Santa Helena.
Esta fotografia foi tomada em março de 2005. [Martin Murray]
 

18
Depois de 20 anos como uma lanchonete (ver foto 23), reboque de passageiros 17 foi restaurado à condição de um pouco original e é apresentado hoje em uma fazenda perto de Sorocaba. [Nicholas Burman

19
O mesmo lugar da foto 03, como mostrado na imagem anterior, fotografado em 1978.
A rota através Votorantim foi transferida cerca de 1940.
Nota igreja em ambos os pontos de vista. [Antonio Gavioli]
 

20
Estação principal, lojas e pátios da empresa na Votorantim. A linha funcionou originalmente na rua em primeiro plano (ver terceiro e quarto ilustrações acima). Esta fotografia foi tirada em 1978. [Antonio Gavioli]
 

21
A estação de passageiros em Votorantim, 1978.
A faixa da direita é a nova rota estabelecida por volta de 1940. [Antonio Gavioli]
 

22
A janela de bilheteira e escritórios da empresa na estação de Votorantim. 1978. [Antonio Gavioli]
 

23
Um dos três locomotivas da General Electric de EFEV que puxam um vagão de carga e reboque de passageiros em 1978. 
O carro de passageiro, numerados 17, seria convertido em uma lanchonete

Bondes transportavam o sorocabano às fábricas de Votorantim

  
Tudo girava entorno da grande quantidade de empregos oferecidos no distrito industrial de Votorantim. Além de recrutar toda a mão de obra local, recebia muitos operários vindos de Sorocaba e sem contar que atraia pessoas de outras cidades e estados, em busca de vínculo na carteira de trabalho e melhores condições de vida.
Aos que não moravam nas vilas operárias, estrategicamente organizadas no entorno das fábricas e eram provenientes de Sorocaba, a opção como transporte era o bonde, com suas composições saindo da estação Paula Souza.
Felipe Benedito Carreño que muitos o chamam em Votorantim de “Carrinho” é neto de espanhóis que vieram trabalhar no distrito, no início do século passado. Felipe sempre morou na Vila Assis e foi um dos operários que se utilizava diariamente do bonde para vir a Votorantim.
“Comecei a trabalhar em 1965 na Metidieri e lá fiquei por 33 anos. Pegava o bonde na plataforma da Vila Assis, era a primeira parada programada aos bondes vindos da Paula Souza. Tinha muitos trabalhadores que usufruíam desse transporte, residentes na Vila Assis, Barcelona, Vila Hortência e Parada do Alto, pertencente ao Além Ponte, também conhecida como região dos espanhóis”, destaca Felipe.
Era um ritual, por volta das 4h15 da manhã, começava a formar grande concentração de trabalhadores que se deslocavam para entrar às 5 da manhã na Indústria Têxtil Metidieri e às 5h30 na Fábrica de Tecidos Votorantim.
Depois de parar na Vila Assis, a composição prosseguia até a Parada do Alto para receber nova baldeação, chegava ao bairro Ângelo Vial para fazer descer aqueles que saíam em caminhada até o portão da fábrica Metidieri e a maior parte de trabalhadores permanecia na lotação com destino ao Largo da Estação, na rua Lacerda Franco, para a fábrica Votorantim.
“Agora são só lembranças. Não sai da mente o desembarque todos os dias na plataforma do Ângelo Vial, íamos a pé até a Metidieri e encontrávamos barracas de frutas e doces, que funcionavam na troca de turno e no horário do almoço. Como o comércio não era tão desenvolvido nas proximidades então apareciam vendedores com cestos e barraquinhas. Discretamente operários também comercializavam doces dentro das seções”, se recorda Felipe.
Em alguns horários, os bondes faziam o percurso até as estaçõezinhas instaladas no Votocel e Santa Helena, onde atendiam trabalhadores em menor número das fábricas papeleira e cimenteira. Além disso, também era utilizado por estudantes que se dirigiam até Sorocaba e os passeios dos moradores do então distrito. O Grupo Votorantim utilizava a linha férrea para receber insumos visando compor a fabricação do cimento e aproveitava para escoar parte da produção.
“Para ser transportado era preciso ter o bilhete e um funcionário na função de controlador percorria a composição, com um furador móvel que deixava marca nos bilhetes para registrar o seu uso. As vezes quando a composição pegava a parte da subida nos trajetos e diminuía a velocidade, tinha gente que descia e trocava por um vagão onde o controlador de passagens já havia percorrido. Tudo isso para não pagar e fugir do homem do ticket como assim o chamavam”, comenta Felipe.
Apesar de situações como essa apontada por Felipe, havia organização na composição, tanto que contava com bonde exclusivo para o transporte de mulheres e atrás era o dos homens. A massa operária formava um grande contingente garantindo o preenchimento de vagas nas duas maiores fábricas têxteis do distrito de Votorantim.
Com o tempo foi se perdendo essas particularidades, o bonde deixou de circular, os ônibus passaram a ocupar maior espaço e a Metidieri onde Felipe trabalhava, deixou de pertencer ao comendador Alfredo Metidieri.
“A empresa marcou a minha vida, onde formei amizades e aprendi muito. Também teve momentos de apreensão quando do incêndio em parte da fábrica e a venda ao Grupo Claudino, mas muitos foram os períodos bons como a formação de equipes que disputavam o torneio interno de futsal e o lazer na Associação Recreativa dos Empregados da Metidieri, o Arem, onde contávamos com mesa de bilhar, quadra de futsal, aparelhos para atividade física, dois campos de bocha e playground para garantir a descontração a toda a família”, finaliza Felipe.



(Cesar Silva é jornalista formado pela Uniso, gestor público pós-graduado pela Univ. Fed. do Estado do RJ (Unirio), membro da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História e autor dos livros Nossa História Nossa Gente -volumes I e II)

Coluna publicada na página 25 da edição 139 da Gazeta de Votorantim de 10 a 16 de outubro de 2015
http://www.gazetadevotorantim.com.br/ler-coluna/737/bondes-transportavam-o-sorocabano--s-f-bricas-de-votorantim.html


Bonde em 1920, onde está presente Foto: Luiz Strongoli

Felipe Benedito Carreño


Bilhete de ida de Votorantim a Sorocaba em 1950




Comentários

  1. Queria muito viajar no tempo pra poder ver e sentir essas maravilhas do seculo passado!!!

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